As maçãs eram a fruta preferida do meu pai
que comia e dava a comer a toda a família
depois de com a sua navalha da vida inteira
sem pressas as cortar em quatro e descascar.
Em casa tinha de haver maçãs para a refeição acabar.
Ritual que filhos, netos e bisnetos nunca vão esquecer.
Até comia maçãs quem gostava mais de outras frutas.
As maçãs reinetas eram as preferidas da minha mãe.
Nenhum deles sabia da frase feita e do bem que fazia
que uma maçã por dia mantinha o médico à distância.
Cinco anos depois da partida de ambos
uma forma simples de com muita ternura os recordar
nos confortar neste mundo em que a tendência é piorar.

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