Foi ele que cortou e acertou as tábuas de madeira
da escadaria que levava às flores do seu perfume
às águas limpas e lisas do jardim da sua nascente.
Na clausura, pela janela era de longe a mais bela.
A jovem freira que nasceu no baixo Alentejo
e em pecado perdidamente se apaixonou
soube pelo seu coração e com o seu corpo
aprendeu pelas cartas que ficaram sem resposta
para a dor, a separação definitiva é remédio santo.
Em flor deixou-se murchar dia após dia
a secar vazia e a morrer aos poucos
a ser bombo da festa e escárnio das outras
sem vida nenhuma, umas vivas mortas.
Foram apenas algumas noites guardadas por Deus.
Se aquelas caras de pau e barrigas de milho
rios secos que nem uma azeitona ali cabia
com muito pó e areia seca no meio das pernas
soubessem o bom que foi e o bem que soube.
A chuva quando chega vem quente e vem nua
eles ficam molhados como se estivessem na rua
ficam abraçados e escondidos pela luz da lua.
É do amor que se escreve não de verbos-de-encher.

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