segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Filhas da Babilónia

 

Filhas da Babilónia, uma de vocês 

venha de TGV ter comigo a Paris

para no fim-de-semana prolongado 

vermos juntos o museu d'Orsay

museu de Arte Moderna e Petit Palais.

Passearmos pelo jardim do museu Rodin.


Escolhi Paris porque era uma jura antiga.

Vem de Nice, Bruxelas ou da Bretanha 

lá estarei na estação à tua espera.

Eu vou de avião de Budapeste 

a minha cidade adoptiva que me recebeu 

e onde fiquei não tarda há meio século. 

 

Vinho, com queijo e chouriços para comer

e cachimbo ou cigarros para descontrair. 

O cheiro espalhava-se e chegava cá acima

não eram as pernas, as coxas que fumavam

era a dona que na relva mostrava quase tudo 

para não se perder tempo com a imaginação 

Olhando para trás parecia ser um mapa 

ou os sentimentos da minha passagem 

o espelho ousado da nossa migração tardia. 

A minha peregrinação pela vida em viagem.

Filhas de Babilónia (1920) de Aquilino Ribeiro.

 

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