Filhas da Babilónia, uma de vocês
venha de TGV ter comigo a Paris
para no fim-de-semana prolongado
vermos juntos o museu d'Orsay
museu de Arte Moderna e Petit Palais.
Passearmos pelo jardim do museu Rodin.
Escolhi Paris porque era uma jura antiga.
Vem de Nice, Bruxelas ou da Bretanha
lá estarei na estação à tua espera.
Eu vou de avião de Budapeste
a minha cidade adoptiva que me recebeu
e onde fiquei não tarda há meio século.
Vinho, com queijo e chouriços para comer
e cachimbo ou cigarros para descontrair.
O cheiro espalhava-se e chegava cá acima
não eram as pernas, as coxas que fumavam
era a dona que na relva mostrava quase tudo
para não se perder tempo com a imaginação
Olhando para trás parecia ser um mapa
ou os sentimentos da minha passagem
o espelho ousado da nossa migração tardia.
A minha peregrinação pela vida em viagem.
Filhas de Babilónia (1920) de Aquilino Ribeiro.

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