quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Quinta-essência

 

Estava virtualmente como agora se diz e é moda 

na apanha da azeitona sem sequer vergar a mola 

sem mãos calejadas que ovelhas não se querem para mato

quando por acaso me cruzei com a quinta-essência.

 

Pareceu-me que não tinha asas, balões de ar quente 

e mais humano que outra coisa, um ar pouco divino.

No salão, para minha surpresa, só vi deus-homens à conversa 

chamaram-me para ser seu parceiro numa cartada de sueca.

 

As deusas, aquela hora do dia, estavam com certeza 

entretidas na sauna e nas águas geladas do limpa inveja.

Descascadas das nozes do ciúme, às escondidas dos sentinelas 

partilhavam o mesmo cigarro e o álbum de fotografias eróticas.

 

Pobre de mim que estava ali por partida do destino 

porque há muito que sonhava escrever em verso

e com a ajuda do deus pagão desenhar em rima

as outras quatro essências civis: terra, água, ar e o fogo.

 

Poder perguntar, deixar em pratos limpos quais os motivos

por que fazem dos vivos, mortos e dos mortos, vivos. 


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