Estava virtualmente como agora se diz e é moda
na apanha da azeitona sem sequer vergar a mola
sem mãos calejadas que ovelhas não se querem para mato
quando por acaso me cruzei com a quinta-essência.
Pareceu-me que não tinha asas, balões de ar
quente
e mais humano que outra coisa, um ar pouco divino.
No salão, para minha surpresa, só vi deus-homens à
conversa
chamaram-me para ser seu parceiro numa cartada de sueca.
As deusas, aquela hora do dia, estavam com certeza
entretidas na sauna e nas águas geladas do limpa inveja.
Descascadas das nozes do ciúme, às escondidas dos
sentinelas
partilhavam o mesmo cigarro e o álbum de fotografias
eróticas.
Pobre de mim que estava ali por partida do destino
porque há muito que sonhava escrever em verso
e com a ajuda do deus pagão desenhar em rima
as outras quatro essências civis: terra, água, ar e o fogo.
Poder perguntar, deixar em pratos limpos quais os motivos
por que fazem dos vivos, mortos e dos mortos, vivos.

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