quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Kálvin tér (Praça Calvino)


Em Budapeste durante 4 anos, estudante universitário

vivi na residência da rua Ráday que a pé ficava

apenas a dez minutos da Kálvin tér (Praça Calvino).

 

Perto dali quase em frente ao Museu Nacional

havia um alfarrabista que vendia livros estrangeiros

onde comprei algumas preciosidades por tuta-e-meia.

 

Ao lado havia uma férfi fodrász, barbearia para homens

em que os barbeiros eram barbeiras, por acaso muito faladoras.

As redes de cabeleireiras e barbearias ainda eram estatais.

 

Falavam mais do que cortavam, mas trabalhavam bem

e simpáticas nunca se esqueciam do mimo, de aparar

e acertar os pêlos da minha barba mal semeada.

 

Durante aqueles anos o meu corta-cabelo foi a Emese.

Uma senhora cheinha que fumava que se fartava.

Saia de lá sempre com aspecto muito mais decente.

 

Em consonância com o nome da praça

era ali que estava a igreja Reformada Calvinista

da reforma protestante liderada por Joâo Calvino.

 

Que me lembre, a igreja estava sempre fechada.

Só lá entrei muito depois no casamento de uma colega

quando já não morava naquela parte do centro da cidade.

 

A Praça Calvino também era conhecida e ficou famosa

por causa de um quiosque, o primeiro de Budapeste

vendia hot-dogs, hambúrgueres até às tantas da madrugada.

Era um local de culto da juventude e a fila era sempre enorme.

 

Tantas vezes que os meus vizinhos do terceiro piso

os meus amigos cubanos abriam a porta e me diziam

- Vem connosco, vamos comer um perro-caliente.

E lá íamos nós. Mais do que amigos, éramos irmãos.

  

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