Em Budapeste durante 4 anos, estudante universitário
vivi na residência da rua Ráday que a pé ficava
apenas a dez minutos da Kálvin tér (Praça Calvino).
Perto dali quase em frente ao Museu Nacional
havia um alfarrabista que vendia livros estrangeiros
onde comprei algumas preciosidades por tuta-e-meia.
Ao lado havia uma férfi fodrász, barbearia para homens
em que os barbeiros eram barbeiras, por acaso muito
faladoras.
As redes de cabeleireiras e barbearias ainda eram estatais.
Falavam mais do que cortavam, mas trabalhavam bem
e simpáticas nunca se esqueciam do mimo, de aparar
e acertar os pêlos da minha barba mal semeada.
Durante aqueles anos o meu corta-cabelo foi a Emese.
Uma senhora cheinha que fumava que se fartava.
Saia de lá sempre com aspecto muito mais decente.
Em consonância com o nome da praça
era ali que estava a igreja Reformada Calvinista
da reforma protestante liderada por Joâo Calvino.
Que me lembre, a igreja estava sempre fechada.
Só lá entrei muito depois no casamento de uma colega
quando já não morava naquela parte do centro da cidade.
A Praça Calvino também era conhecida e ficou famosa
por causa de um quiosque, o primeiro de Budapeste
vendia hot-dogs, hambúrgueres até às tantas da madrugada.
Era um local de culto da juventude e a fila era sempre
enorme.
Tantas vezes que os meus vizinhos do terceiro piso
os meus amigos cubanos abriam a porta e me diziam
- Vem connosco, vamos comer um perro-caliente.
E lá íamos nós. Mais do que amigos, éramos irmãos.

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