Usava o carro como guarda-chuva
o lugar certo para arrumar a corneta
e sem se importar com o que diziam os outros
deixava-se ficar a brincar com ela à cabra-cega.
Era só garganta, nem de escadote lá chegava
às bicas altas e chamativas daquela fonte
mas por si sabia, tinha de dar corda aos sapatos
e como tinha talento, bebia água e saciava a sede.
De pensamentos perdidos quando se prepara para a viagem
sem pressas, sentada em frente do espelho de maquilhagem
sozinha, com o dorso transparente e o resto feito bela
paisagem
mostram que a liberdade de amar já está arrumada na bagagem.

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