quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Nem de escadote

 

Usava o carro como guarda-chuva 

o lugar certo para arrumar a corneta

e sem se importar com o que diziam os outros

deixava-se ficar a brincar com ela à cabra-cega. 


Era só garganta, nem de escadote lá chegava

às bicas altas e chamativas daquela fonte 

mas por si sabia, tinha de dar corda aos sapatos

e como tinha talento, bebia água e saciava a sede. 


De pensamentos perdidos quando se prepara para a viagem

sem pressas, sentada em frente do espelho de maquilhagem

sozinha, com o dorso transparente e o resto feito bela paisagem

mostram que a liberdade de amar já está arrumada na bagagem.


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