Com as saias sem princípio e os decotes sem fim
em pelota nadava de costas como se estivesse vestida
no rio traiçoeiro sem ter tempo para mais nada
de tocar bandolim ou partilhar com ele o camarim.
Do Nicola aos cafés Delta com Bocage pelo meio
numa rua pouco iluminada na terra do carapau
àquela hora era um risco um perigo andar sozinho
podia-se ser atacado por dá cá aquela palha.
Chegava da oficina com a barriga a dar horas
ao restaurante da tia e pedia um prego no pão
um parafuso panado no prato e facas afiadas
a saudade faz mal à saúde, mas faz bem ao coração.
Aprendeu a tocar um grande instrumento de sopro
mas não lhe ensinaram que não se deve cuspir na sopa.
Depois de uns momentos de com os olhos partir pedra
sem nada dizer puxamos o carapuço, rimos às
gargalhadas
e para fecharmos a noite pedimos uma última caneca.

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