quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Palavras escritas em Budapeste

 

São palavras sem alma ou sofrimento

palavras sem paixão ou desalento.

São palavras sem pão, fome e sem vinho

palavras vazias, sem sal nem condimento.

 

Palavras de marcha atrás, à caranguejo

à peixe de viveiro sem espinhas nem espada.

Palavras a passo de cavalo, de boi manso

sem vida, palavras que não nos dizem nada.

 

Mas há outras, frágeis como um fio de azeite

sem terra, não têm voz nem no turno da noite.

Apesar disso não se pode desistir de escrever

de sobreviver, de despertar, de não adormecer.

 

São palavras de adeus e alguma saudade.

Palavras de insubmissão e de muita dignidade.

- Quase todas as minhas palavras, é verdade

foram escritas em Budapeste, a minha cidade.

 

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