São palavras sem alma ou sofrimento
palavras sem paixão ou desalento.
São palavras sem pão, fome e sem vinho
palavras vazias, sem sal nem condimento.
Palavras de marcha atrás, à caranguejo
à peixe de viveiro sem espinhas nem espada.
Palavras a passo de cavalo, de boi manso
sem vida, palavras que não nos dizem nada.
Mas há outras, frágeis como um fio de azeite
sem terra, não têm voz nem no turno da noite.
Apesar disso não se pode desistir de escrever
de sobreviver, de despertar, de não adormecer.
São palavras de adeus e alguma saudade.
Palavras de insubmissão e de muita dignidade.
- Quase todas as minhas palavras, é verdade
foram escritas em Budapeste, a minha cidade.

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