Hajnal László, nascido Grün László (1902-1943)
Foi jornalista, em jornais como Magyar Szó (Palavra Húngara)
Zsidó Jövö (Futuro Judeu) e na revista Fekete Macska (Gato Preto).
Velho companheiro, com o Gato Preto vieram-me à cabeça
outros gatos, outras gatas nocturnas, outras épocas…
Em Budapeste no início dos anos oitenta do século passado
numa esquina perto da residência da rua Ráday havia um bar
"Fekete Macska", eu era um törzsvendég (cliente habitual).
Como estava perto da cama, podia abusar e abusei muitas vezes.
Foi ali entre canecas de cerveja e copinhos de aguardente
que comecei a série do Gato Preto. No verão seguinte
o Zetho convenceu-me a publicar em edição para amigos.
Como não encontro o único exemplar que tinha dos 50
editados por uma tipografia de Almeirim, vou tentar de cabeça
reinventar um dos 13 textos que compunham a plaquete.
Por volta dos quarenta, de calças apertadas caminhava pela
rua.
Na cidade não havia quem soubesse dançar assim como ela
a dança moderna e indiscreta das ancas e das nádegas pela calçada.
Os homens nem verbo-piropo tinham, calados ficavam sentados
a olhar, a imaginar outros bailes e outras festas, outros arraiais.
Era tão fogosa que com medo de se queimar,
ficarem com os dedos esturricados, não havia alma
que se chegasse à frente, que atravessasse a ponte da fortaleza.
Quem ganhava com a falta de coragem era o gato preto da casa
habituado que estava não a caçar ratos ou pardais, mas a dormir
na borralha da cinza morna, quentes e boas, entre as coxas da dona.
Hajnal László escreveu poesia, prosa, peças de teatro e crítica literária.
Születik a vers
Ilyenkor tárjuk fel a mellünk,
A napsugárt szívjuk le mélyre
Kitárt két karral ünnepeljünk,
Mert az isten született bennünk,
Dobjunk el minden földit félre,
Mert elindult felénk a Vers...!
Nasce o poema
É chegado o tempo de abrir o peito
Deixar o sol descer até ao fundo,
Festejar de braços abertos,
Porque Deus nasceu em nós,
Deixemos de lado todas as coisas terrenas
Porque o Poema vem ao nosso encontro...!
Nasceu no último dia do ano, 2 depois da madrugada do século XX e em janeiro de 1943, desapareceu como "munkaszolgálat" (recruta forçado sem armas) na Frente Oriental, na URSS. Não se sabe onde nem exatamente quando, como judeu-carne para canhão, desarmado, esfomeado e muitas vezes espancado só porque lhes apetecia.
O munkaszolgálat foi uma instituição militar especial criada na
Hungria durante a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto. Era um “serviço” de guerra realizado
nas forças armadas húngaras, mas sem armas e exclusivamente sob a forma de
trabalhos forçados. Normalmente nos combates iam à frente dos soldados do exército
húngaro.
Budapeste, 2 de março de 2025

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