quarta-feira, 26 de março de 2025

De mãos dadas e dedos entrelaçados

 

De mãos dadas e dedos entrelaçados 

caminhavam leves à minha frente. 

Eu distraído observava muito atento 

com o gosto a arroz-doce de outras aventuras 

e a velha emoção de novas descobertas. 

 

Observava comovido com muito prazer  

Como quem saboreando a vida

bebe água fresca da bica da fonte.

 

Separaram-se com um beijo intenso. 

Os transportes públicos podiam esperar. 

Ela foi para o metro como eu fui

ele para o eléctrico que atravessa a cidade 

e une pelos seus carris Buda a Peste.

 

Não vou terminar este texto de observação do amor 

que nesta manhã cálida senti a obrigação de escrever

sem dizer que estou a pensar em nós e na nossa Lisboa.


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