quarta-feira, 26 de março de 2025

Lisboa não te esqueças


Caminhavam lado a lado em passo repousado 

pelo Terreiro do Paço e o Cais das Colunas

como se não se conhecessem, não se tivessem visto.


Perderam-se para Santa Apolónia, subiram as colinas 

por Alfama, na intimidade do miradouro de Santa Luzia

até às Portas do Sol, ao ritmo espaçado das fotografias.

 

Longe sentia-se o ruído da vida, devia ser o barulho  

de um comboio a passar sem parar na estação 

no aeroporto a aterragem brusca de um avião.

 

Na rua encostado ao carro de cigarro na mão 

um taxista de meia idade, vivido e sabido  

com o seu olhar matreiro parecia que dizia 

- Estou a ver o que vocês não devem ter feito.

 

Não me olhes assim, não me tapes a boca 

deixa-me gemer até eu querer, até me apetecer 

até me cansar de ter tanto prazer.

Lisboa não te esqueças de nós.

Quando for tarde recorda a nossa voz.


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