segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Külvárosi vágy (Desejo da periferia da cidade) / Estaria em Viena

 

Külvárosi vágy 

 

Feri elhagyott, most dug a Béla,

Lök egy kis lóvét piára néha.

Hogy miért? Igazán nem is értem,

De így megy ez itt, ezen a téren.

 

Feri ütötte-verte a testem,

Bélától gyorsan teherbe estem.

Most itt növekszik bennem a vérem,

Ezen a szürke, elhagyott téren.

 

A napot szinte sohase látom,

Az éjszaka a legjobb barátom.

Itt állok nyáron, itt állok télen,

Ezen a kibaszott, sivár téren.

 

Nem vagyok szép, és nem vagyok csúnya,

Nem vagyok szűz, és nem vagyok kurva,

Hogy kerültem ide? Nem is értem,

Miért dekkolok ezen a téren.

 

Nézz meg jól! Én is egy ember vagyok,

Ha nem szeretnek, én is megfagyok.

Néha a Jóistent magát kérem,

Ne hagyjon elveszni itt, a téren.

 

Szeretni akarok, ahogy mások,

Ezért is mosolygok néha rátok.

Nagyon várom, hogy elgyere értem,

Itt várlak, ezen a tetves téren.

Bognár Károly

  

Desejo da periferia da cidade 

 

O Feri deixou-me, agora fode-me o Béla,

De vez em quando, dá-me dinheiro para a bebida.

Porquê? Na verdade, nem eu entendo 

Mas é assim que as coisas acontecem nesta praça.

 

O Feri batia-me por tudo e por nada,

Com o Béla engravidei rapidamente.

Agora dentro de mim cresce o meu sangue,

Nesta praça cinzenta e abandonada.

 

Quase nunca vejo o sol,

A noite é a minha melhor amiga.

Aqui estou no verão, aqui estou no inverno,

Nesta desoladora praça de merda.

 

Não sou bonita, nem sou feia

Não sou virgem, nem sou puta

Como é que vim parar aqui? Nem eu sei,

Porque é que me escondo nesta praça.

 

Olha bem para mim! Também sou uma pessoa

Se não me amarem também vou congelar.

Por vezes peço ao próprio Deus

Que não me deixe perder aqui nesta praça.

 

Quero amar, tal como os outros

É por isso que às vezes vos sorrio.

Estou ansiosa que venhas buscar-me

Aqui te espero nesta miserável praça.

(Tradução Joaquim Pimpão) 

 

 

Estaria em Viena

 

Se eu não fosse de raça cigana

já há muito que estaria em Viena 

a trabalhar num lar de idosos 

ou a fazer limpeza na Alemanha.

 

Mas se nem no meu país me aceitam 

como é que me vão aceitar lá fora 

com este aspecto tão pouco europeu 

e sem saber falar a língua que falam.

 

Quem nasce numa família organizada 

com tudo no sítio e dinheiro que chegue 

vai estar sempre à frente da pobreza 

da penúria e privações da criança cigana.

 

Resta-nos fazer filhos como quem lava a loiça 

à espera de que comovido Deus faça um milagre 

de vez traga à terra o paraíso do céu sagrado 

e acabe com os sacrifícios de quem espera a sua hora.

Pedro Assis Coimbra


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