Külvárosi vágy
Feri
elhagyott, most dug a Béla,
Lök egy kis
lóvét piára néha.
Hogy miért?
Igazán nem is értem,
De így megy
ez itt, ezen a téren.
Feri ütötte-verte a testem,
Bélától
gyorsan teherbe estem.
Most itt
növekszik bennem a vérem,
Ezen a
szürke, elhagyott téren.
A napot
szinte sohase látom,
Az éjszaka a legjobb barátom.
Itt állok
nyáron, itt állok télen,
Ezen a
kibaszott, sivár téren.
Nem vagyok
szép, és nem vagyok csúnya,
Nem vagyok szűz, és nem vagyok kurva,
Hogy kerültem ide? Nem is értem,
Miért dekkolok ezen a téren.
Nézz meg jól! Én is egy ember vagyok,
Ha nem
szeretnek, én is megfagyok.
Néha a Jóistent magát kérem,
Ne hagyjon
elveszni itt, a téren.
Szeretni
akarok, ahogy mások,
Ezért is
mosolygok néha rátok.
Nagyon
várom, hogy elgyere értem,
Itt várlak,
ezen a tetves téren.
Bognár
Károly
Desejo da periferia da cidade
O Feri deixou-me, agora fode-me o Béla,
De vez em quando, dá-me dinheiro para a bebida.
Porquê? Na verdade, nem eu entendo
Mas é assim que as coisas acontecem nesta praça.
O Feri batia-me por tudo e por nada,
Com o Béla engravidei rapidamente.
Agora dentro de mim cresce o meu sangue,
Nesta praça cinzenta e abandonada.
Quase nunca vejo o sol,
A noite é a minha melhor amiga.
Aqui estou no verão, aqui estou no inverno,
Nesta desoladora praça de merda.
Não sou bonita, nem sou feia
Não sou virgem, nem sou puta
Como é que vim parar aqui? Nem eu sei,
Porque é que me escondo nesta praça.
Olha bem para mim! Também sou uma pessoa
Se não me amarem também vou congelar.
Por vezes peço ao próprio Deus
Que não me deixe perder aqui nesta praça.
Quero amar, tal como os outros
É por isso que às vezes vos sorrio.
Estou ansiosa que venhas buscar-me
Aqui te espero nesta miserável praça.
(Tradução Joaquim Pimpão)
Estaria em Viena
Se eu não fosse de raça cigana
já há muito que estaria em Viena
a trabalhar num lar de idosos
ou a fazer limpeza na Alemanha.
Mas se nem no meu país me aceitam
como é que me vão aceitar lá fora
com este aspecto tão pouco europeu
e sem saber falar a língua que falam.
Quem nasce numa família organizada
com tudo no sítio e dinheiro que chegue
vai estar sempre à frente da pobreza
da penúria e privações da criança cigana.
Resta-nos fazer filhos como quem lava a loiça
à espera de que comovido Deus faça um milagre
de vez traga à terra o paraíso do céu
sagrado
e acabe com os sacrifícios de quem espera a sua hora.
Pedro Assis Coimbra

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