Elbújnék
Ráncaim alól szinte ki se látszom,
Rám dől múltamnak szétmálló tűzfala,
És mégis még mindig fiatalt játszom,
Pedig sántikálva kullogok haza.
Szememből lassan elfogynak a fények,
Hajamat vastagon belepi a dér,
Asztalomon hófehér gyertyák égnek,
Törött ablakomon kopogtat a tél.
Testemben
őrjöngve tombol a halál,
Robbannak
mirigyek, rothadnak sejtek,
Elbújnék, de tudom, úgyis megtalál,
Nem rejt el előle semmilyen rejtek.
Készülődni kezdek a hosszú útra,
Bőröndöm és szívem üresen tátong,
Elindulok a végtelenen túlra,
Hol jöttömet már epekedve várod.
Bognár Károly
Gostaria de me esconder
Quase não se vê nada por baixo das minhas rugas,
A parede de fogo em ruínas do meu passado desaba sobre mim,
E, no entanto, continuo a fingir que sou jovem,
Embora vá a coxear quando volto para casa.
Lentamente a luz vai-se esvaindo dos meus olhos,
O gelo cobre fortemente o meu cabelo,
Na minha mesa ardem velas brancas como a neve,
O inverno bate à minha janela partida.
Furiosamente a morte assola o meu corpo,
As glândulas rebentam, as células apodrecem,
Gostaria de me esconder, mas sei que ela me vai encontrar,
Dela nenhum esconderijo me vai proteger.
Começo a preparar-me para a longa viagem,
A minha mala e o meu coração estão vazios,
Vou partir para além do infinito,
Onde já me esperas ansiosamente.
(Tradução Joaquim Pimpão)
O vinho que eu cá deixei
Foi um pensamento que iluminou a noite
uma curta mensagem que dizia apenas
- É agora, é tempo de mudar de vida.
Se fosse uma curta-metragem seria
estou onde mereço estar, em lado nenhum
e passava à tarde no cinema da esquina.
Foi bom, mas acabou. Adeus, inverno. Bem-vinda,
primavera.
Fica em paz com o destino, com a tua peregrinação
que o amor é como a própria vida, dura até acabar.
Uma última informação, mas sem data
- Quando eu morrer por favor não se esqueçam
de beber todo o vinho que eu cá deixei.
Pedro Assis Coimbra

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