segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Elbújnék (Gostaria de me esconder) / O vinho que eu cá deixei

 

Elbújnék 

 

Ráncaim alól szinte ki se látszom,

Rám dől múltamnak szétmálló tűzfala,

És mégis még mindig fiatalt játszom,

Pedig sántikálva kullogok haza.

 

Szememből lassan elfogynak a fények,

Hajamat vastagon belepi a dér,

Asztalomon hófehér gyertyák égnek,

Törött ablakomon kopogtat a tél.

 

Testemben őrjöngve tombol a halál,

Robbannak mirigyek, rothadnak sejtek,

Elbújnék, de tudom, úgyis megtalál,

Nem rejt el előle semmilyen rejtek.

 

Készülődni kezdek a hosszú útra,

Bőröndöm és szívem üresen tátong,

Elindulok a végtelenen túlra,

Hol jöttömet már epekedve várod.

Bognár Károly

 

Gostaria de me esconder

 

Quase não se vê nada por baixo das minhas rugas,

A parede de fogo em ruínas do meu passado desaba sobre mim,

E, no entanto, continuo a fingir que sou jovem,

Embora vá a coxear quando volto para casa.

 

Lentamente a luz vai-se esvaindo dos meus olhos,

O gelo cobre fortemente o meu cabelo,

Na minha mesa ardem velas brancas como a neve,

O inverno bate à minha janela partida.

 

Furiosamente a morte assola o meu corpo,

As glândulas rebentam, as células apodrecem,

Gostaria de me esconder, mas sei que ela me vai encontrar,

Dela nenhum esconderijo me vai proteger.

 

Começo a preparar-me para a longa viagem,

A minha mala e o meu coração estão vazios,

Vou partir para além do infinito,

Onde já me esperas ansiosamente.

(Tradução Joaquim Pimpão) 



O vinho que eu cá deixei 

 

Foi um pensamento que iluminou a noite 

uma curta mensagem que dizia apenas 

- É agora, é tempo de mudar de vida.

 

Se fosse uma curta-metragem seria 

estou onde mereço estar, em lado nenhum

e passava à tarde no cinema da esquina.

 

Foi bom, mas acabou. Adeus, inverno. Bem-vinda, primavera. 

Fica em paz com o destino, com a tua peregrinação

que o amor é como a própria vida, dura até acabar.


Uma última informação, mas sem data

- Quando eu morrer por favor não se esqueçam 

de beber todo o vinho que eu cá deixei.

Pedro Assis Coimbra


Sem comentários: