quinta-feira, 7 de agosto de 2025

A boa estrela nunca nos abandonou

 

Aimer à perdre la raison 

Aimer à n’en savoir que dire. Louis Aragon 

 

Que vão dizer quando nós já cá não estivermos

o que vão pensar de nós e do amor que vivemos?

Eram dias e semanas, meses à espera de um só dia

e eu cultivava rosas e dálias que depois te oferecia.

 

Passeávamos pela praia guardados pelo nevoeiro 

naquela zona da costa o sol chegava sempre atrasado.

Falávamos da lua nova como quem come outro gelado. 

Olhos nos olhos gostávamos de interpretar o mar.


Era assim sem uma única manifestação de gratidão 

apesar de termos passado uma grande parte da vida  

ao desafio, a arriscar a sorte e a esticar o destino 

a nossa boa estrela nunca, nunca nos abandonou.


- Pequenos e mornos, seguros e cálidos, os seus dedos 

inquietos, lisos e suaves, aventureiros e atrevidos 

descobriam e tocavam, acariciavam e avivavam o rosto 

o pescoço, o peito e os biquinhos, as pernas e as coxas 

mais em cima e seguir em frente pelas areias mais húmidas.


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