Era no meio do campo que os caminhos subiam
e livres pela encosta até ao cimo os levavam.
Era ali que felizes rebolavam e se abraçavam.
Se envolviam, se disfarçavam e se escondiam
se comemoravam, se despiam e se amavam
e sem remissão tudo ofereciam um ao outro.
Certos do segredo da sua festa mais íntima
que ninguém sabia deles nem mesmo a poesia
que os queria escrever, imortalizar a sua história.
Enxaguavam-se sem medo na água do riacho
e para se secarem ao sol deitavam-se na erva
entre os arbustos no sopé secular da ladeira.
Era chegado o momento de irem para casa
de um último beijo intenso de despedida
que prometia todas as carícias, toda a doçura
desse amor sem fim, dessa milagrosa aventura.

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