Noli me tangere de Ticiano.
- Sem querer correr o risco da blasfémia.
Não me toques que me desafinas
desafinas o piano, o pianoforte
da minha tranquilidade teimosa
mais a santa abstinência de séculos.
Mesmo não sendo essa a tua intenção
traz de volta até aos jardins da solidão
a vida simples sem sombra da morte
desses momentos maravilhosos (MM
- Maria Madalena, Marilyn Monroe)
que há muito é urgente, é preciso esquecer.
Deixar-me dormir no subterrâneo da ilusão
ou na gruta mal iluminada da desilusão.
Diz, o que é feito do sobressalto cívico de então?
Entou pardal de trigo e saiu como um pavão.
A pensar no "Noli me tangere" de Ticiano
que vimos em Londres na National Gallery.

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